Capítulo 5
Henrique Lopes estava sentado à beira da cama, seus dedos ainda tocavam o rosto dela. As pontas dos dedos ásperos roçavam a suave pele da sua bochecha. Ao vê–la acordar, ele não só não retirou a mão, como também perguntou: “Acordou?”
Ela ficou momentaneamente atordoada.
Lágrimas cobriam seu rosto, e sua voz era rouca: “O que aconteceu comigo?”
Sua voz era profunda: “Você teve febre alta e dormiu por um dia inteiro.”
Ele ainda estava vestindo seu uniforme de treinamento, esbelto e firme, e seu olhar sobre ela era escuro como a noite, com o contorno da parte inferior do rosto definido e os lábios formando uma linha reta, dando–lhe uma expressão séria e austera.
Olhando ao redor, viu que de fato estava em um quarto de hospital, e mais precisamente, no hospital onde estava estagiando.
“Como você veio parar aqui…”
Tamires Martins se lembrava de ter adormecido na noite anterior, extremamente cansada. Como chegou ao hospital era um mistério para ela.
Henrique Lopes explicou: “Naiane Lopes tentou te ligar ontem à noite e não conseguiu te alcançar. Preocupada, ela me ligou.”
Depois de receber a ligação de Naiane Lopes na noite anterior, ele voltou de Belo–Visto do quartel. Ao entrar em casa, viu Tamires Martins encolhida no sofá. Pensou inicialmente que ela havia adormecido ali por acidente, mas ao se aproximar, notou que ela tremia e suas bochechas estavam anormalmente vermelhas. Ao tocar sua testa, percebeu o quão quente ela estava e soube que ela estava com febre. Imediatamente, a levou ao hospital.
Após o atendimento médico, ela acordou delirante várias vezes, sempre chorando. A última vez não foi diferente, chamando pela mãe e pedindo desculpas.
Com a voz rouca, Tamires Martins se desculpou: “Desculpe, te causei transtornos.”
Henrique Lopes, com uma expressão ainda mais severa, respondeu com frieza: “Além de pedir desculpas, você sabe dizer mais alguma coisa? Não sabe procurar um médico quando se sente mal? Ainda mais sendo estudante de medicina, você não sabe os riscos de deixar uma febre sem tratamento? Preciso te ensinar?”
Tamires Martins sabia que não estava acostumada com o novo ambiente, tinha ficado acordada até tarde estudando e estava exausta. A mudança de clima também não ajudava.
Ela tinha medo, especialmente de Henrique Lopes.
Sendo ele um militar, sua presença era intimidante, especialmente quando ele permanecia em
silêncio.
Ela não ousava olhá–lo nos olhos, mal conseguia respirar perto dele, sentindo–se
21.19
Capítulo 5
completamente paralisada, como se seu sangue tivesse congelado.
Henrique Lopes se aproximou, sua presença invadindo gradualmente seus sentidos, seus olhos profundos como o mar noturno, repletos de perigos desconhecidos.
Tamires Martins, com os olhos baixos, percebeu o reflexo da fivela de metal em seu cinto, sentindo–se ainda mais nervosa e temerosa, como se seu coração estivesse sendo sufocado. Ela conseguiu murmurar um “desculpe…”
Ela estava tensa, segurando a barra da calça, evitando entender o que ele queria dizer, optando pelo silêncio.
“De hoje em diante, eu virei todos os dias. Mesmo que eu não esteja, a empregada cuidará de você.”
O pânico assomou em Tamires Martins, um frio se espalhando por suas costas. Ela rapidamente tentou recusar: “Não precisa se incomodar tanto…”
Henrique Lopes interrompeu: “Tamires Martins, preciso ser mais claro?”
O coração de Tamires Martins parecia contrair–se dolorosamente, temendo exatamente o que mais temia. No entanto, ela estava tão angustiada que não conseguiu emitir som algum.
Henrique Lopes começou a falar com os lábios levemente entreabertos: “Você costumava ser tão apegada…”
“Tio!” Ela apertou os dedos e o chamou com força. Assim que as palavras foram ditas, o quarto de hospital pareceu congelar, sem mais nenhum som.
Tamires Martins não ousou ver a expressão de Henrique Lopes. Lágrimas marcavam o canto dos seus olhos, e ela sentia uma dor aguda, lamentando as palavras que ele quase disse.
Essas coisas deveriam permanecer enterradas.
Quando ela falou aquelas palavras para ele no passado, eles não tinham nenhum vínculo. Seus pais ainda não haviam se divorciado, e ela podia falar sem medo. Mas agora, as coisas haviam mudado.
Chamando–o de “tio“, ela estava lembrando a ambos que certas coisas não deveriam mais ser mencionadas.
“Não leve a sério o que disse quando era mais jovem e não entendia as coisas.”
Ela terminou de falar, podendo sentir o olhar de Henrique Lopes ficando cada vez mais intenso. Sentia um formigamento no couro cabeludo, nunca ousando encontrar seu olhar.
Justamente quando sentia que estava prestes a ficar sem ar, o toque de um celular interrompeu a atmosfera pesada. Ele olhou brevemente para a tela do celular, levantou–se e saiu para atender a ligação, fazendo com que a tensão que ela mantinha se desfizesse no mesmo instante.
212