Capítulo 18
No caminho de volta ao quartel, Henrique Lopes recebeu um telefonema, a pessoa do outro lado disse–lhe: “Belmiro Domingos já embarcou no avião.”
Henrique Lopes respondeu com um leve tom nasal: “Estou ciente.”
Tamires Martins não esperava que sua febre continuasse por vários dias, durante o dia ainda conseguia manter–se normal e ir trabalhar, mas à noite a febre voltava. Suspeitando de uma infecção bacteriana, ela foi fazer exames de sangue após o trabalho e realmente confirmou a infecção, recebendo algumas infusões de líquidos que finalmente melhoraram sua condição.
Durante esse período, Henrique Lopes não deu notícias, e ela definitivamente não o procuraria.
Belmiro Domingos também não apareceu novamente, e Tamires Martins decidiu bloquear seu número, sem intenções de retomar o contato.
Na ausência de Henrique Lopes, Tamires Martins sentiu–se mais relaxada, mas ainda assim a qualidade do seu sono era ruim, levando–a a comprar melatonina na farmácia para antes de dormir.
O efeito colateral foi uma dor de cabeça intensa após alguns dias de uso.
Nessa noite, ela estava de plantão com Luciana Dutra.
Luciana Dutra, de forma misteriosa, se aproximou de Tamires Martins e perguntou: “Faz tempo que não vejo seu tio, o que aconteceu? Ele não tem te trazido ao hospital recentemente? Vocês brigaram?”
Tamires Martins, focada em escrever o histórico médico, não respondeu.
“Seu tio parece ser jovem, ele tem trinta anos? A diferença de idade entre vocês não parece grande, ele é seu tio de verdade? Vocês não se parecem nem um pouco.”
“Ele não é meu tio de verdade.” Tamires Martins respondeu rapidamente, não pensando muito sobre isso, pois de fato não eram parentes de sangue.
“Então por que você o chama de tio?”
“Por que você está tão curiosa?” Tamires Martins não estava muito disposta a responder.
“Ah, só estava perguntando.”
Tamires Martins estava ocupada e não tinha tempo para conversar, mas felizmente a noite não estava tão movimentada, permitindo–lhe descansar um pouco na mesa após terminar o
histórico médico.
Luciana Dutra, que sabia como aproveitar o tempo livre, de repente notou a mão de Tamires Martins: “O que aconteceu com o dorso da sua mão?”
1/2
Capítulo 18
“Foi queimada por um cigarro.” A marca já havia cicatrizado, descascando uma fina camada de pele.
“Você fuma?”
Tamires Martins não respondeu.
Luciana Dutra percebeu que ela estava sendo evasiva, revirou os olhos e voltou a se concentrar no seu celular.
O plantão noturno durava meia–noite.
A tia de Tamires Martins sabia que ela estava de plantão noturno e não vinha incomodá–la durante o dia, preferindo preparar a comida à tarde.
Depois do plantão, Tamires Martins voltou para Belo–Visto, tomou um banho e foi procurar algo para comer na cozinha. Gostava de andar descalça no piso aquecido. Ao ouvir o som da chave na fechadura, pensou que fosse sua tia vindo visitar, mas ao abrir a porta, não era ela.
Uma mulher estava parada na porta, com uma aparência friamente bela, vestindo um casaco branco de penas e segurando as chaves. Ela também parecia surpresa ao ver Tamires Martins e perguntou: “O que você está fazendo na casa do meu namorado?”
Namorado?
Tamires Martins, vestindo um pijama largo e descalça, com um tablet nos braços, também ficou surpresa.
“De onde você veio?” A mulher disse friamente, avaliando–a de cima a baixo.
Tamires Martins tentou explicar: “Eu sou parente dele.”
A mulher não acreditou na versão de Tamires Martins: “Que tipo de parente? Prima ou irmã?”
“Não, sou sobrinha.” Uma sobrinha sem laços de sangue.
“Sobrinha? Como assim eu não sabia que ele tinha uma sobrinha tão grande? Seja honesta, eu ainda posso te respeitar, mas se você mentir para mim, não vou te deixar em paz.”
Tamires Martins não sabia como explicar: “É verdade, você pode ligar e perguntar para ele.”
Era por não conseguir contato com Henrique Lopes que acabei indo até a casa dele.
A mulher sorriu e disse: “Ele não está, foi cumprir uma missão, não há como provar se está vivo ou morto.”