Capítulo 17
Tamires Martins não ousou discordar, movendo seus passos em sua direção, mas ainda mantendo a distância de uma mesa de café entre eles. Ele exibia uma postura relaxada; ela, extremamente cautelosa, evitava o contato visual.
“Você tem medo de mim, ou está me evitando?” a voz de Henrique Lopes carregava autoridade. Na verdade, era um pouco de ambos.
E aquilo só se intensificou depois do beijo no lounge ontem.
Ela queria evitar a todo custo.
Tamires Martins optou pelo silêncio.
O ar estava carregado com uma tensão palpável.
Henrique Lopes fixou seu olhar nela, intensamente, fazendo–a quase perder o fôlego, temerosa de que ele fizesse algo novamente. Sem ter para onde fugir, ela teve de dizer: “Não é nada
disso…”
“Ontem, eu te beijei…”
Ele foi interrompido por Tamires Martins: “Não, isso não aconteceu.”
Henrique Lopes franziu a testa, e a atmosfera se tornou ainda mais pesada, como se nuvens escuras cobrissem o sol. Vendo que ela estava à beira das lágrimas, ele se levantou e se aproximou, o que, para ela, era perigoso. Mas ela estava tão assustada que não conseguia se mover, esquecendo–se de reagir.
“O que eu disse para você chorar?” Ele finalmente abandonou o assunto, percebendo que
realmente a havia assustado.
Tamires Martins disse: “Não é nada, eu vou para o meu quarto.”
Ela não queria ficar a sós com ele por mais um instante.
No entanto, Henrique Lopes não parecia disposto a deixá–la ir. Embora não retomasse o assunto anterior, ele a levou para sentar–se em seu colo, seus braços envolvendo a cintura dela: “Eu acabei de dizer para você vir aqui.”
Tamires Martins ficou tensa, sentindo claramente a temperatura das pernas dele e a firmeza de seus músculos.
Henrique Lopes disse: “Eu nem comecei a fazer nada, e você já está assim. Se eu realmente fizesse algo, como você reagiria?”
Vendo que não havia escapatória, Tamires Martins implorou: “Por favor, não faça isso…”
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Capítulo 17
“Belmiro Domingos poderia fazer isso?”
“Você e Belmiro Domingos já estão falando em casamento, e você nem me contou. Se você não viesse para Pelotas, eu nem saberia.”
Tamires Martins explicou baixinho: “Não estamos falando em casamento, eu não concordei…”
“Então você pretende nunca mais entrar em contato comigo?”
“Você também não voltou para Fluminense…”
Tamires Martins engoliu em seco, pensando em como poderia ter tentado entrar em contato com ele, mas lembrando–se das palavras dele sobre não terem mais relação, desistiu da ideia, tentando esquecê–lo completamente.
Henrique Lopes pausou, então disse: “Então você está brava comigo?”
“Não.”
Logo quando Henrique Lopes estava prestes a dizer algo, o celular tocou. Ele soltou–a temporariamente para atender, dizendo a ela: “É uma ligação de trabalho.”
Ao vê–lo se afastar para o terraço para atender a ligação, Tamires Martins suspirou aliviada, com as palmas das mãos suadas.
Depois de terminar a ligação, Henrique Lopes voltou e disse a Tamires Martins: “Aconteceu algo urgente, preciso ir. Fique bem, vai nevar nos próximos dias, não saia muito. A tia virá cozinhar, diga a ela se quiser algo específico.”
Tamires Martins sentou–se desconfortavelmente, percebendo a urgência nos olhos dele, que estavam sérios e preocupados.
Sem dar muitas explicações, Henrique Lopes foi direto ao ponto: “Se precisar de alguma coisa nesse período, entre em contato com meu amigo.”
Ele enviou um número para ela: “Ele se chama Sérgio Prudente.”
“Quando você volta?” O WhatsApp de Tamires Martins notificou uma mensagem, e seu coração apertou um pouco mais.
“Não posso precisar.” A voz de Henrique Lopes estava mais fria.
Tamires Martins sorveu o nariz, consciente da peculiaridade do seu trabalho, que não permitia questionamentos adicionais. Ela não perguntou mais nada e apenas disse: “Desculpe.”
Henrique Lopes caminhou até a entrada, pausou por alguns segundos – meros segundos – e no momento seguinte, abriu a porta e partiu.